domingo, 15 de junho de 2014
as vezes me calo
e quero
a sorte
de proclamar-me sem norte
e entender que não espero
aquilo que tanto esmero
não cabe à minha morte
o deus é menos austero
não tem as amarras tão fortes
sou livre, oras
sou livre
e que pânico é viver sem grilhões nos pensamentos
que náusea é saber-se sem ajuizamento moral
visto que não é preciso ser vil, alegre, altivo
e que há pouco que procurar na identidade carnal
sou livre
e na possibilidade de encontrar a tudo,
falta a mim me encontrar
falta saber-me nu, sem escudo
falta olhar pro horizonte para ver
que tudo a minha volta naufragará em outro mar
que não o solo firme do homem humano
que corre, inclusive, muy lento.
vejo meu corpo diante do morro
pequeno, se lembramos os alpes,
os andes e o kilimanjaro,
meu corpo pequeno diante do morro que não é grande
meu corpo ainda menor, pequeno já entre os corpos
de outros montes de passantes.
da minha liberdade na terra, meu bem,
por fim, quero uma caixa
coisa simples, sem requintes
pode ser de madeira rústica, assim, cheia de farpas
ou pode ser incolor, barata e de estrutura plástica
enfim, só me basta uma caixa
para encontrar em mim mesma aquilo que no mundo se acha.
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