quinta-feira, 29 de maio de 2014

Que coisa, imensa, deus pai,
como é que as linhas se cruzam?

No mesmo planeta
Inventam amor e lançam astronautas
E ainda há quem retorne ao ventre
E reerga a Cruz de Malta

O olho pro infinito
Que nos move e nos falta.

-

Vento Sul
Leste, Oeste
prefiro inferir sobre a morte 
ao proclamar-me sem norte 
que ceder à vulga peste

Tempo nu
que me destes
aceitarei duro e claustro
o pano que meu corpo veste.

-

O homem senta, encara,
esconde suas mãos no bolso,
colando ao torso a cara
nunca se deixa afagar


Passam-se as ruas
uma a uma
e dentro - do ônibus,
da alma, deste momento - 
eu escrevo,
um moço ora,
e uma mulher chora para confessar seu pecado.

Vê se não somos iguais...

No banco, andar de baixo,
uma senhora - é de flor o vestido - 
assiste o mundo correndo
por entre estes muros de vidro:
meias mãos, prédios e braços.

Sua visão, por ironia da tépida vida,
é parcialmente vedada 
por um pequeno adesivo 
que indica que o seu assento
serve a um certo tipo.

como cadeiras marcadas 
 quem tem grana aconchega o bumbum
e quem não tem,
assiste da escada.

ou não
ou chão
ou nada

...

o ônibus pára -
é matéria em movimento - 
o homem de atrito e ranhuras
ganha o seu consentimento.

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