quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A verdade é que estamos todos perdidos.
Não importa se, unidos, fazemos a força agora.


A sensação de ingenuidade deflagra-nos pela manhã.
Não adianta olhar, orgulhoso, as marcas da luta vã.


Embora seja o planeta embebido em visões de guerra,
quem lutará enternecido no distante reduto da Terra?


É tempo de morte física e intelectual.
Não saberíamos sequer o que é norte,
não fosse o mapa natal.
O teu peito é uma estaca
Onde amolam-se facas
E os versos de amor são tecidos.
Não te preocupes, homem, moço,
Outro trem passará em seguida.
Choramingas assim, um instante,
pela passagem de tua Vida?

É preciso voltar à infância,
dar as vestes de criança
para a alma travestida.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O faca, o grito, o açoite
O peso bruto da água
a escorrer desta noite
sincrética: condensação.

Fico sozinha no meu sossego
não quero mais nada, repito
Fico pétrea, rouca, abastada
Sentada em meu próprio mito

O mito, o mímico, eu mico

Aos pulos atacando os leões

Contraversão profética ou
Tradução poética das rixas
E sensações das frestas
Se abrem certeiras na testa
Se rompemos ideais convenções

Eu sítio, euspaço, eu rítmo
A deslocar meu compasso

Sob as nuvens, entre as águas
Sobre a terra: rio largo
Para a vida que insiste e incinera
E ainda é mar: fluidez, longos braços.

A vida quebra, a roda viva, a vida encerra
Longa e maçante como as releituras de Milan Kundera
Minuscula, cíclica e inusitada ainda
como os ecos de todos os mundos que Satie uniu em laço
Para traduzir a dor finda.

A vinda, a vida, ainda
Perspectiva como um grand Picasso
Não concluída como a bela flor.

Sofro disso tudo e ainda há o amor
Que retoma esse raciocínio fúnebre
Lançando-me ao mesmo embaraço
Onde crio e atiro a casca viva que sou
E quase me castro, ser nau à deriva,
sem lastro, em um mar de torpor.
Sambo imaginário nos montes de Bariloche
e não acho desleixo social, ou transtorno
sentimental, transparecer meu deboche.