quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fico sozinha no meu sossego
não quero mais nada, repito
Fico pétrea, rouca, abastada
Sentada em meu próprio mito

O mito, o mímico, eu mico

Aos pulos atacando os leões

Contraversão profética ou
Tradução poética das rixas
E sensações das frestas
Se abrem certeiras na testa
Se rompemos ideais convenções

Eu sítio, euspaço, eu rítmo
A deslocar meu compasso

Sob as nuvens, entre as águas
Sobre a terra: rio largo
Para a vida que insiste e incinera
E ainda é mar: fluidez, longos braços.

A vida quebra, a roda viva, a vida encerra
Longa e maçante como as releituras de Milan Kundera
Minuscula, cíclica e inusitada ainda
como os ecos de todos os mundos que Satie uniu em laço
Para traduzir a dor finda.

A vinda, a vida, ainda
Perspectiva como um grand Picasso
Não concluída como a bela flor.

Sofro disso tudo e ainda há o amor
Que retoma esse raciocínio fúnebre
Lançando-me ao mesmo embaraço
Onde crio e atiro a casca viva que sou
E quase me castro, ser nau à deriva,
sem lastro, em um mar de torpor.

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