Na ânsia de te sentir – minha
amante, eu-completo, minha esquiva solidão – pisei cacos onde era concreto e então periguei
flutuar: fundo fosso. Parti – sem piedade, presa à minha insanidade - todos os olhos de vidro: os olhos amigos, os
desconhecidos, o teu e o meu. Por isso te peço perdão.
Faltou entender que assim como a mim e minha plástica percepção, não é fácil
viver por aí com o oco estampado na cara, ser propaganda ambulante do palpável oco rasura, o oco figura estampada em capas de discos:
vão entre o véu e a verdade. O oco insano do olho anticristão.
Seus olhos de vidro
nos meus olhos tripartidos.
nos meus olhos tripartidos.
Seus olhos no dele:
espelho.
Teu corpo no meu: infrutífero além: expansão em vermelho.
Teu corpo no meu: infrutífero além: expansão em vermelho.
Entendo que é tempo
de homens de aço, de parcos abraços e duríssimas carências. É tempo de
turbulências: o efervescente start! É
tempo de porta-bandeira sem pátria real, sem o torpe ideal do poder-estandarte.
Mas se penso os seus olhos nos meus todos
os montes se erguem e me vem à lembrança esta rara esperança de voltar ao seio, ao cerne, à sombra, enfim, ao céu: eu-criança.
Apogeu: o corpo distante do ciclo de deus.
Seiva profícua que sai
de tua língua
Te bebo sem sede
Te bebo sem sede
Lodo original do meu
ser ante natal
Luz que, distante, míngua
Para saltar nesta noite
A enganosa lembrança de tua boca infinda.
Luz que, distante, míngua
Para saltar nesta noite
A enganosa lembrança de tua boca infinda.
Desci, com os olhos, as corredeiras de suas veias geográficas. Desejei, em ti, um mapa: mas era ímpeto
humano de transgredir, deslocar, conhecer, deglutir qualquer carne que não minha. Quis curar com a rigidez de minha boca a suas
mãos frágeis, sua pele fina, o berçário-vulcão que te tentava romper.
A linha dura do teu nariz reto:
Abstrato sonho dos neoconcretos
O furo futuro no muro
A razão para o não-objeto
E palavras outras que jamais poderia dizer: terremoto, ânsia, orquestra, nimbus estampadas no outono, o vazio entre o ser e o gesto.
Sonhei paisagens
Criei memórias
Fiz lar onde havia deserto
Surgiram-me penas, tecidos de história
Mas quando me abri em cortinas,
nada por perto:
Um homem perdido no mar.
*
Criei memórias
Fiz lar onde havia deserto
Surgiram-me penas, tecidos de história
Mas quando me abri em cortinas,
nada por perto:
Um homem perdido no mar.
*
Tempo, desassossego meu
Inevitável norte,
Gradualmente escureço
Pois passível é minha carne
À minha própria desordem
Dissolvo quieta em contato
Toque teu: jorro espesso.
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